Disfluência da fala no início na infância ou Gagueira

1) O que é gagueira ou disfluência com início na infância?

Disfluência ou gagueira da infância é uma falha na sequência de produção articulatória da fala (ritmo da fala) e inicia-se no período do desenvolvimento da linguagem da criança. Essa fala é caracterizada por repetições ou prolongamentos de som, silabas ou palavras, como também por pausas que interrompem o ritmo e por hesitações. Deve ser classificada como transtorno quando causa ansiedade, prejudicando a comunicação efetiva, a participação social e o desempenho acadêmico/profissional.

2) Como é feito o diagnóstico da disfluência ou gagueira na infância?

O diagnóstico é realizado através de uma avaliação abrangente, onde se valoriza a história clínica e familiar e a análise de diversos contextos por um médico foniatra.

O DSM-5 caracterizou 4 critérios diagnósticos:

A.   Perturbações na fluência normal e no padrão temporal da fala inapropriados para a idade e para as habilidades linguísticas do indivíduo persistente e caracterizadas por ocorrências frequentes e marcantes de um (ou mais) entre os sintomas:

1. Repetições de som e sílabas;

2. Prolongamentos sonoros das consoantes e das vogais;

3. Palavras interrompidas;

4. Bloqueio audível ou silencioso;

5. Circunlocuções (substituições de palavras problemáticas);

6. Palavras produzidas com excesso de tensão física;

7. Repetições de palavras monossilábica.

B.   A perturbação causa ansiedade em relação a fala ou limitações na comunicação efetiva, participação social, acadêmico/profissional.

C.   Ocorre no período do desenvolvimento da criança (obs. Nos casos de adultos – transtorno de fluência no inicio na idade adulta).

D.   A perturbação não é atribuída a um déficit motor da fala ou sensorial, a lesão neurológica ou outra condição médica/ neurológica.

3) Quando a gagueira é mais grave?

A gagueira fica mais evidente quando existe alguma pressão social, como por exemplo, para apresentar trabalho de escola, entrevista de trabalho, apresentação de palestra ou falar em público. A gagueira pode causar ansiedade e estresse, mas também a ansiedade e o estresse podem exacerbar a gagueira.

O quadro se torna mais grave quando o indivíduo desenvolve movimentos motores de tensão, tais como: piscar os olhos, tiques, tremores labiais, movimentos descontrolados da cabeça, movimentos respiratórios, mãos e punhos. Geralmente, é ausente durante leitura oral, ato de cantar, conversar com objetos inanimados ou animais de estimação.

4) Em que idade aparece?

A gagueira aparece geralmente até os 6 anos de idade (80 a 90% dos casos). Pode ser insidioso ou repentino, começando com a repetição das consoantes da primeira palavra de uma frase ou de palavras longas. De início, a criança pode não perceber a disfluência. Com a progressão, as alterações ficam mais frequentes. Assim, ela passa a criar mecanismos de esquivas, apresenta reações emocionais, evita falar em público e usa  enunciados mais curtos e simples.

5) A gagueira pode melhorar?

As pesquisas demonstram que 65 a 85% recuperam-se. A idade de 8 anos é um preditor de recuperação ou persistência na adolescência ou fase adulta. No entanto é necessária avaliação de um especialista e intervenção precoce. Considera-se que 1 % dos adultos apresentam gagueira. E a relação é de 3 casos de meninos para 1 menina.

6) A gagueira tem relação genética?

O risco de gagueira é  3 vezes maior quando se tem parentes biológicos de primeiro grau. Estudos genéticos identificaram alguns genes associados com a gagueira nos cromossomos 3, 12 e 16.

7) Existe gagueira adquirida (adultos)?

A gagueira adquirida ocorre de forma abrupta em pacientes previamente fluentes, os seja, que não eram disfluentes na infância. Pode ter origem neurológica, após AVC, traumatismo crânio encefálico, doenças degenerativas, ou de origem psicológica, após trauma emocional.

8) A gagueira de início na infância tem tratamento?

O tratamento da gagueira de início na infância deve ser introduzido precocemente.  Existem diversas técnicas terapêuticas e outros tratamentos como farmacológicos e dispositivos auditivos. Deve-se, principalmente, aconselhar a criança e a família e assim desenvolver estratégias de autoestima para melhorar a fluência da fala, reduzir as atitudes de evitação e sintomas de tensão motora.

Referências Bibliográficas:

DSM-5 2013

Disfluência – Dr. Alfredo Tabith Junior

Dra. Mônica Elisabeth Simons Guerra

Dra. Vanessa Magosso Franchi

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