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Como o cérebro aprende? O que os profissionais da educação devem saber.

Qual a importância da atenção no processo de aprendizagem?

O cérebro humano possui uma motivação intrínseca para aprender, especialmente aquilo que é relevante do ponto de vista biológico, emocional ou social.

Segundo Kandel (Princípios da Neurociências), a atenção é um componente central da aprendizagem porque atua como um mecanismo de seleção, filtrando estímulos do ambiente e direcionando recursos neurais para aquilo que deve ser processado com maior profundidade. Essa seleção ocorre porque o cérebro não consegue registrar tudo simultaneamente — é necessário priorizar.

No nível neurobiológico, a atenção executiva envolve principalmente as redes frontoparietais, com participação do córtex pré-frontal, do córtex parietal posterior e dos núcleos talâmicos, que modulam o fluxo de informações sensoriais. Essas redes são essenciais para duas funções fundamentais:

  1. Manter atenção sustentada em um estímulo ou tarefa
  2. Inibir estímulos distratores internos ou externos

Essa capacidade faz parte do que o Kandel descreve como funções executivas, que também incluem planejamento, controle inibitório e flexibilidade cognitiva — todas críticas para a aprendizagem consciente.

Além disso, o livro destaca interações entre atenção e emoção, mediadas por estruturas como a amígdala, que pode facilitar ou interferir no processamento cognitivo. Emoções negativas intensas, como ansiedade ou medo, podem competir por recursos atencionais e prejudicar a aprendizagem, exatamente como descrito na prática clínica e educacional.


Como o cérebro aprende?

Segundo Kandel, o cérebro humano evoluiu para detectar e responder a estímulos significativos, especialmente aqueles que envolvem recompensarelevância emocionalnovidade ou previsão de resultados.

A aprendizagem ocorre através de mudanças na força das conexões sinápticas, processo conhecido como plasticidade sináptica, cujo mecanismo mais conhecido é a potenciação de longa duração (LTP) no hipocampo e em outras regiões corticais.

Dessa forma, o conteúdo que tem valor emocionalrelevância práticanovidade ou contexto social ativa sistemas neuromodulatórios (noradrenérgico, dopaminérgico, colinérgico) que facilitam a consolidação da memória.

Ambientes emocionalmente seguros e experiências de aprendizagem significativas aumentam a probabilidade de que o aluno:

  • dê atenção
  • registre o conteúdo
  • consolide a memória de longo prazo

Isso explica por que “apenas decorar para a prova” tende a gerar memória frágil e de curta duração, enquanto compreender a utilidade do conteúdo promove retenção e transferência para a vida real.


Qual a importância do conhecimento sobre o funcionamento do cérebro para a aprendizagem?

Estratégias educacionais eficientes precisam considerar como o cérebro realmente consolida memórias:

Kandel descreve três etapas:

  1. Aquisição (experiência inicial + atenção)
  2. Consolidação (estabilização sináptica + reorganização de circuitos)
  3. Recuperação (evocação quando necessário)

Para que a consolidação ocorra, são necessários três elementos fundamentais:

  • Repetição (reforça circuitos neurais)
  • Elaboração (conectar o novo ao já conhecido)
  • Descanso/sono (o cérebro reorganiza traços mnêmicos)

No sono, especialmente no sono de ondas lentas e REM, ocorre replay neuronal, fenômeno em que circuitos ativados durante o dia são reativados, fortalecendo as sinapses e estabilizando memórias de longo prazo. Isso é amplamente descrito no Kandel.

Por isso, conteúdos devem ser retomados ao longo do tempo e em diferentes contextos, pois:

A consolidação não é imediata e exige tempo, repetição e sono adequado.


E qual a importância das emoções no aprendizado?

Segundo Kandel, aprendizado cognitivo e emoção compartilham circuitos interligados. A amígdala, o hipocampo e o córtex pré-frontal formam um circuito crítico para:

  • avaliação emocional de estímulos
  • modulação da atenção
  • formação de memórias duradouras

Emoções positivas, como curiosidade, prazer e interesse, facilitam a aprendizagem ao ativar circuitos dopaminérgicos de recompensa.

Já as emoções negativas intensas, como medo, vergonha ou alta ansiedade, podem:

  • capturar recursos atencionais
  • prejudicar o processamento executivo
  • interferir na consolidação da memória

Daí a importância de ambientes escolares:

  • seguros emocionalmente
  • desafiadores na medida
  • com tolerância ao erro

estresse tóxico, descrito no contexto neurobiológico, compromete o aprendizado porque ativa de forma prolongada o eixo hipotálamo–hipófise–adrenal (HPA), piorando atenção, memória e autorregulação.


Como otimizar o aprendizado na adolescência?

A adolescência é um período crítico porque o córtex pré-frontal ainda está em amadurecimento, enquanto sistemas ligados à emoção e recompensa (como estriado ventral e amígdala) já estão altamente ativos.

Por isso, adolescentes tendem a:

  • buscar novidade
  • assumir riscos
  • ter dificuldades com planejamento
  • apresentar maior sensibilidade emocional

Esse perfil não é um “defeito”, é biológico.

Segundo Kandel, as funções executivas são refinadas até o início da vida adulta, influenciando:

  • controle inibitório
  • planejamento
  • tomada de decisão
  • autorregulação
  • reflexão sobre consequências

Ambientes educativos eficazes devem oferecer:

  • desafios graduais
  • oportunidade de errar e corrigir
  • incentivo à autonomia
  • tolerância ao erro
  • discussão de consequências
  • construção de autorregulação

Família e escola atuam como co-reguladores durante esse período.


Médicas foniátricas

Mônica Elisabeth Simons Guerra

Vanessa Magosso Franchi

 

Uma resposta a “Como o cérebro aprende? O que os profissionais da educação devem saber.”

  1. […] e jovens podem também apresentar  problemas de aprendizagem como distúrbios na escrita e/ou leitura , verificando desempenho abaixo do esperado no ambiente […]

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