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Desenvolvimento auditivo na infância

Versão Atualizada

0 a 4 meses
Espera-se que a criança:

  • reaja a sons altos (sobressalto, choro, interrupção do comportamento)
  • acalme-se com a voz do cuidador
  • volte-se ao som ou interrompa a atividade ao ouvir a fala
  • mostre preferência para a voz humana (especialmente da mãe)

5 a 6 meses
Espera-se que a criança:

  • localize sons no plano horizontal (esquerda-direita)
  • vocalize para chamar atenção
  • imite sons simples (balbucio inicial)
  • “converse” com adultos por meio de sons

7 a 12 meses
Espera-se que a criança:

  • localize sons em qualquer direção (acima, abaixo, atrás)
  • responda ao nome, mesmo em volume baixo
  • reconheça palavras familiares (ex.: “mamãe”, “papai”, “pega”)
  • balbucie com variações de sílabas (ex.: “ba-ba”, “da-da”)
  • entenda comandos simples com apoio gestual

13 a 15 meses
Espera-se que a criança:

  • aponte para objetos, pessoas ou sons inesperados
  • identifique objetos familiares quando nomeados
  • produza palavras simples (ex.: “mamá”, “água”, “au-au”)
  • compreenda instruções simples com gestos

16 a 18 meses
Espera-se que a criança:

  • siga instruções simples sem gestos (ex.: “dá para mamãe”)
  • compreenda vocabulário básico (ex.: partes do corpo, brinquedos)
  • localize fonte sonora com precisão
  • use aproximadamente 10 a 20 palavras (varia)

19 a 24 meses
Espera-se que a criança:

  • aponte para partes do corpo quando pedido
  • reconheça sons ambientais (ex.: telefone, porta)
  • compreenda perguntas simples (ex.: “cadê?”, “quer mais?”)
  • combine duas palavras (“mais água”, “pega bola”)
  • por volta de 21-24 meses, pode ser treinada para audiometria condicionada

📌 Notar o desenvolvimento auditivo é importante porque:

A audição é fundamental para:

  • aquisição da fala
  • desenvolvimento da linguagem
  • socialização
  • aprendizagem escolar

Alterações auditivas podem causar:
✔ atraso de fala
✔ atraso de linguagem
✔ dificuldades comportamentais
✔ dificuldade de atenção


🟡 Sinais de alerta auditivo durante o primeiro ano

Procure avaliação se a criança:

  • não reage a sons fortes
  • não balbucia até os 6 meses
  • não responde ao nome até os 12 meses
  • parece “não ouvir” ou não localizar sons
  • tem infecções de ouvido frequentes e atraso de fala

Quando encaminhar?

Diante de qualquer suspeita, é indicado:


📍 Otorrinolaringologista

📍 Audiologista / Fonoaudiólogo

Testes importantes podem incluir:

  • Triagem auditiva neonatal
  • Audiometria infantil (exame padrão ouro)
  • Imitanciometria
  • Emissões Otoacústicas (EOA)
  • BERA/PEATE
  • Exames complementares

🩺 Importância da Avaliação Médica Otorrinolaringológica

A avaliação médica com otorrinolaringologista é fundamental sempre que houver suspeita de alteração auditiva, atraso de linguagem, histórico de infecções de ouvido ou fatores de risco associados. Isso porque o diagnóstico auditivo não depende apenas de testes instrumentais, mas também de um exame clínico completo e de uma anamnese detalhada.

Durante a consulta, o médico realizará:

1. Exame físico otorrinolaringológico

Avalia estruturas que podem interferir na audição e na linguagem, como:

  • membranas timpânicas
  • conduto auditivo externo
  • orelha média (presença de secreção, otite, perfuração, retrações)
  • cavidade nasal e rinofaringe (adenóides / obstruções)
  • cavidade oral e articuladores

Esse exame identifica causas condutivas (por exemplo, otite média com efusão), que são comuns na infância e podem alterar a audição de forma transitória ou persistente.


2. Anamnese dirigida

A entrevista inclui dados essenciais sobre:

  • histórico gestacional (infecções congênitas/TORCHS)
  • parto e neonatal
  • triagem auditiva neonatal (teste da orelhinha)
  • infecções de repetição (otites)
  • exposição a ruído
  • uso de ototóxicos
  • marcos de desenvolvimento
  • histórico familiar
  • comportamento auditivo
  • escolaridade e linguagem

Uma boa anamnese evita:
❌ diagnósticos tardios
❌ exames desnecessários
❌ condutas inadequadas

E orienta qual exame audiológico é o mais indicado para cada faixa etária (audiometria infantil e impedanciomaetria (padrão ouro), EOA, BERA etc.).


3. Avaliação de fatores de risco

O otorrino identifica se existem fatores de risco para perda auditiva, tais como:

  • prematuridade / baixo peso
  • UTI neonatal
  • hiperbilirrubinemia
  • meningite
  • CMV congênito
  • síndromes genéticas
  • deficiência auditiva em familiares
  • otite média secretora recorrente
  • uso de aminoglicosídeos

4. Investigação genética

genética tem papel importante nas perdas auditivas, especialmente quando:

  • bilateral
  • de início precoce
  • progressiva
  • sem causa aparente
  • com história familiar positiva

📚 Referência original

  1. Matkin ND. Pediatr Rev. 1984;6:151.
  2. Joint Committee on Infant Hearing (JCIH).
  3. Korver AM, Smith RJH, Van Camp G, Schleiss MR, Bitner-Glindzicz M, et al.
  4. American Speech-Language-Hearing Association (ASHA).

Complementado com literatura atual de desenvolvimento auditivo e linguagem.


Médicas otorrinolaringologistas foniatras

Dra. Mônica Elisabeth Simons Guerra

Dra. Vanessa Magosso Franchi

Uma resposta a “Desenvolvimento auditivo na infância”

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