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Disfluência da fala no início na infância (Gagueira)

O que é gagueira ou disfluência com início na infância?

A gagueira do desenvolvimento é um transtorno da fluência da fala que surge durante o período de aquisição e desenvolvimento da linguagem, geralmente entre 2 e 6 anos de idade. Caracteriza-se por interrupções involuntárias no fluxo da fala, com repetição ou prolongamento de sons, sílabas e palavras, além de pausas, hesitações e bloqueios.

A condição é considerada um transtorno quando é persistente (isto é, não se resolve espontaneamente com o tempo e pode continuar na adolescência e vida adulta) e quando provoca ansiedadeevitação comunicativa e impacto em áreas como participação socialdesempenho escolar e, mais tarde, profissional.


Como é feito o diagnóstico da disfluência ou gagueira na infância?

O diagnóstico é clínico e envolve:

  • História clínica e familiar detalhada
  • Avaliação da fala em diferentes contextos
  • Avaliação médica (foniatria) e fonoaudióloga.
  • Exclusão de outras causas (neurológicas, sensoriais e motoras)

Critérios diagnósticos segundo DSM-5:

A. Perturbações na fluência e ritmo da fala, inapropriadas para idade e persistentes, com frequência marcante de um ou mais:

  1. Repetições de sons e sílabas
  2. Prolongamentos sonoros
  3. Palavras interrompidas
  4. Bloqueios (audíveis ou silenciosos)
  5. Circunlocuções
  6. Palavras com tensão física excessiva
  7. Repetição de palavras monossilábicas

B. Impacto na comunicação, participação social ou desempenho acadêmico/profissional.

C. Início na infância.

D. Não atribuível a distúrbios motores da fala, sensoriais ou lesão neurológica adquirida.

Importante: em adultos pode existir gagueira adquirida/neurogênica, de natureza distinta.


Quando a gagueira é mais grave?

A gravidade aumenta quando:

  • há pressão social (apresentações, chamadas orais, entrevistas)
  • surgem comportamentos secundários de tensão, como:
    • piscar, tiques faciais
    • movimentos de cabeça
    • tensão labial ou mandibular
    • alterações respiratórias

A gagueira tipicamente reduz em contextos como:

  • leitura em uníssono
  • cantar
  • falar sozinho ou com animais
    (indicando forte modulação pelo sistema de controle motor da fala)

Ansiedade pode exacerbar o quadro, mas não é causa primária.


Em que idade aparece?

A maioria dos casos inicia-se entre 2 e 6 anos, sendo período crítico do desenvolvimento linguístico.
Estudos mostram que 80–90% dos casos começam antes dos 6 anos.

No início, a criança pode não perceber a disfluência; com o tempo, pode desenvolver:

  • esquivas
  • evitação de fala em público
  • simplificação de frases
  • frustração ou reatividade emocional

A gagueira pode melhorar?

Sim. Dados epidemiológicos mostram que:

  • Cerca de 5% das crianças passam por um período de gagueira de ≥ 6 meses pasted.
  • 75% dessas crianças recuperam-se espontaneamente até o final da infância pasted.
  • Cerca de 1% da população apresentará gagueira persistente na vida adulta pasted.

O prognóstico é melhor quando:

  • início antes dos 3–4 anos
  • menor tempo de duração
  • ausência de outros transtornos de fala ou linguagem
  • sexo feminino (meninas recuperam mais) pasted

Quais fatores aumentam o risco de persistência? (Stuttering Foundation)

Principais fatores de risco para persistência:

  1. História familiar
  2. Idade de início (pior se > 3,5 anos)
  3. Duração dos sintomas desde o início (> 6–12 meses)
  4. Sexo masculino
  5. Outros aspectos de fala e linguagem (ex.: alterações fonológicas)
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Nenhum fator isolado determina persistência — o risco é aditivo.


A gagueira tem relação genética?

Sim. A Stuttering Foundation e estudos genéticos mostram:

  • Até metade das crianças que gaguejam têm familiar de primeiro grau com gagueira pasted.
  • Estudos identificaram genes associados (ex.: cromossomos 3, 12 e 16).
  • Gêmeos monozigóticos possuem maior concordância genética do que dizigóticos.

Há ainda bases neurobiológicas com diferenças em circuitos motores de fala, descritas em estudos de neuroimagem.


Existe gagueira adquirida (adultos)?

Sim. A gagueira adquirida pode ser:

✔ Neurogênica – após:

  • AVC
  • TCE
  • tumores
  • doenças degenerativas
  • infecções do SNC
  • efeitos adversos de medicamentos
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✔ Psicogênica – associada a estresse intenso ou trauma psicológico.

Difere da gagueira do desenvolvimento no padrão clínico e no contexto.


A gagueira de início na infância tem tratamento?

Sim, e o ideal é intervir precocemente, principalmente nos casos com risco de persistência.

O tratamento inclui:

  • terapia fonoaudiológica especializada
  • orientação parental
  • manejo de comportamentos de tensão
  • prevenção de esquivas
  • fortalecimento emocional e autoestima

Outros recursos podem ser usados conforme o caso:

  • técnicas de modificação da fala
  • dispositivos auditivos
  • abordagens farmacológicas (mais raras e sempre médicas)

A Stuttering Foundation enfatiza a intervenção precoce e o envio para especialista quando há suspeita de risco de cronicidade.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Tratado de foniatria – Disfluência – Dr. Alfredo Tabith Junior e Dra. Mônica Elisabeth Simons Guerra

Stuttering Foundation of America – Risk Factors & Epidemiology pasted

DSM-5 (2013)

Yairi & Ambrose – Estudos longitudinais sobre persistência e recuperação


Médicas foniátras:

Dra. Mônica Elisabeth Simons Guerra

Dra. Vanessa Magosso Franchi

Uma resposta para “Disfluência da fala no início na infância (Gagueira)”.

  1. […] Especifico de Linguagem (DEL) , Transtorno do desenvolvimento da linguagem (TDL), Dislexia, disflência da fala ou gagueira […]

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